O Brasil está passando por uma transição no modelo de assistência médica. Embora a maior parte dos usuários ainda seja atendida pelo sistema público, há uma crise no setor que aponta para o fechamento de mais de 40 mil leitos do SUS nos últimos 10 anos. Isso exige uma gestão hospitalar mais eficiente para garantir um atendimento de qualidade na saúde privada.

Pensando nisso, no artigo de hoje veremos algumas formas de promover melhorias nos processos da sua instituição, visando alcançar um nível maior de satisfação e de sucesso em seus procedimentos — mas sem perder de vista a questão dos custos e das exigências regulatórias, que fazem parte do contexto dos atendimentos médicos. Confira!

Como melhorar os processos de gestão

A qualidade de qualquer tipo de atividade empresarial está diretamente relacionada ao gerenciamento dos seus processos. Quando Deming e outros pesquisadores desenvolveram sua abordagem para a qualidade na década de 1940, por exemplo, eles estavam basicamente tratando de como as organizações modernas poderiam lidar com os complexos desafios que estavam enfrentando.

Para isso, criaram ferramentas relativamente simples, mas muito poderosas, partindo desta ideia: para atingir a excelência na qualidade final de um produto ou serviço, é preciso investir na gestão dos processos que os compõem. Desde então, esses princípios têm sido utilizados por empresas de todos os setores.

A qualidade na assistência médica

A assistência médica é muito complexa e lida com um diferencial importante: vidas humanas. Ainda assim, observando com certo distanciamento, seus processos não são completamente diferentes dos de outras indústrias. Podemos entender a área de saúde como diversas atividades interligadas que resultam em um objetivo final — o que, em última análise, está relacionado ao bem-estar de um paciente.

É possível, portanto, aplicar o princípio de Pareto e verificar que, provavelmente, 20% desses processos podem ser considerados realmente críticos, sendo responsáveis por 80% dos resultados alcançados. Assim, o desafio de cada instituição é identificar quais são esses 20% e priorizá-los, pois são eles que impactarão diretos a qualidade na saúde privada. E, pensando nessas questões, há algumas práticas que podem fazer a diferença.

Utilize softwares de gerenciamento

Atualmente, é impensável administrar algo formado por elementos tão diversos e que envolve tantas pessoas e recursos como um hospital sem o suporte de uma solução de TI (Tecnologia da Informação).

Há várias opções de programas que servem para gerenciar desde as rotinas administrativas de uma instituição (como a parte financeira e o controle de funcionários) até softwares ligados diretamente ao atendimento, cobrindo questões como o cadastramento e o fluxo de pacientes ou a gestão dos medicamentos.

Existem também os chamados ERP’s, que servem para o gerenciamento de várias rotinas, principalmente as que constituem o chamado back office, e outras soluções que podem fazer a diferença em sua atividade finalística — como uma plataforma destinada ao agendamento de cirurgias, por exemplo, que otimiza a gestão de leitos e desburocratiza as solicitações por procedimentos.

Analise seus dados e resultados

É fato que, para gerenciar, é preciso medir por meio da observância de indicadores. Assim, ao implantar um software de gerenciamento, a sua instituição ganha capacidade de apurar o desempenho de modo bem mais simples e assertivo. De posse dos dados que o sistema vai gerar, é possível identificar lacunas de oportunidade e definir ações de melhoria.

Com base nos registros históricos de atendimentos, por exemplo, você pode descobrir que a maior parte dos pacientes que vão até o seu hospital em certa época do ano estão acometidos por um mesmo tipo de problema. Então, se há essa recorrência, você pode se preparar melhor para atendê-los.

Estabeleça metas

Com base nos resultados das análises de dados, é possível definir metas concretas e mensuráveis nas áreas que você identificar como mais necessitadas de melhoria. Em linhas gerais, os cuidados de saúde devem ser:

  • seguros — evitar, ao máximo, possibilidades de causar ferimentos e outras complicações aos pacientes;

  • eficazes — combinar o cuidado com a ciência, evitando o uso excessivo de práticas paliativas e a subutilização de ações que realmente funcionam;

  • centrados no paciente — honre o indivíduo e respeite a sua escolha de ser atendido em seu hospital;

  • oportunos — reduzir a espera dos usuários sempre que possível;

  • eficientes — reduzir o desperdício e gastos desnecessários;

Tendo essas diretrizes em mente, todas as metas das áreas do seu hospital estarão de certa maneira correlacionadas ao atendimento aos pacientes, que é o que importa quando falamos em qualidade.

Crie uma equipe equilibrada

A formação de uma equipe eficiente é uma das principais etapas do processo de melhoria da qualidade na saúde privada. Para isso, é preciso contar com membros de diferentes origens, com habilidades variadas e níveis distintos de experiência.

Essa equipe deve incluir um líder sênior, que possa dar conselhos, supervisionar e defender a equipe. Também deve ter médicos iniciantes, que serão formados para garantir a sobrevivência da organização ao longo do tempo — além, é claro, do pessoal operacional, que será responsável pelas demandas no dia a dia. Uma instituição que não consegue trabalhar nesse sentido e, por exemplo, troca os seus médicos o tempo todo, dificilmente conseguirá atingir altos níveis de qualidade.

Faça o alinhamento financeiro

Os modelos de pagamento dos seus pacientes — sejam eles particulares ou de planos de saúde — precisam estar ajustados com as suas iniciativas de melhoria de qualidade.

Se você estiver fazendo investimentos sem observar o fluxo de caixa, por exemplo, sua abordagem em vez de ajudar terá impactos muito negativos no longo prazo. Então, para haver consonância entre as reais possibilidades de gastos e suas ações efetivas, é preciso alinhar constantemente os departamentos e a direção da instituição, definindo as prioridades e sempre resguardando a saúde financeira geral.

Melhore a comunicação

Quando suas ações estiverem em andamento, é fundamental manter uma comunicação transparente entre os profissionais. Isso é muito importante para que todos saibam quais são suas responsabilidades e como cada um pode contribuir nesse processo de busca de qualidade.

Nesse sentido, compartilhe marcos tanto grandes quanto pequenos, bem como retrocessos, e não deixa de parabenizar aqueles que contribuíram e causaram impacto no seu progresso. Isso faz muita diferença no clima e no envolvimento de seus colaboradores, que passam a se engajar mais visando o sucesso da organização.

Em suma, ao implantar estratégias bem estruturadas para gerenciar os processos da sua instituição, você observará um ganho substancial de produtividade no médio ao longo prazo. Isso possibilitará não só uma melhoria significativa na qualidade dos serviços prestados, mas também influenciará diretamente a lucratividade do hospital.

Haverá reduções de custos, principalmente com gastos desnecessários e desperdícios, além de uma recorrência maior de atendimentos — afinal, usuários satisfeitos tendem a indicar a instituição a outras pessoas, justamente por confiarem um seu modelo de assistência.

Gostou da leitura? Agora que você já sabe o que fazer para conseguir manter e até incrementar a qualidade na saúde privada, descubra também o que uma plataforma pode fazer para melhorar a gestão de leitos!

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